***VOL. 3, Nº 014 / 2021 – 03/05-30/05 (FELICIDADE) *Sociedade Sandra Nodari

Felicidade é Um Privilégio, e Não Uma Escolha!

Sandra Nodari

A felicidade não é uma escolha! Se fosse assim, milhares de pessoas no mundo estariam escolhendo ser infelizes. Tratar a felicidade como escolha é uma forma perversa de reduzir todos os elementos que impedem alguém de sentir-se feliz apenas à sua falta de força de vontade, e este pensamento é muito cruel.

Como escolher ser feliz sem ter direitos básicos respeitados? Sem ter comida, moradia, trabalho, segurança, educação e saúde? Pensar que mesmo em situações de miséria a pessoa deve escolher ser feliz é uma forma colonizadora e opressora de obrigar a outra a aceitar que tem de sorrir mesmo na tragédia. O pensamento de que uma situação “podia ser pior” ou que “tem gente pior que a gente” é muito mesquinho.

O isolamento imposto pela pandemia da Covid-19 piorou a relação que as pessoas têm com a própria felicidade, porque nos faz perceber o tempo todo os nossos privilégios. Se eu estou passando relativamente bem pelo isolamento, trabalhando remotamente, milhares de pessoas estão infelizes por andar em ônibus lotados para chegar ao emprego. Se, da minha janela, eu posso ver um pôr do sol incrivelmente belo ao lado dos meus filhos e do meu companheiro, muitas pessoas foram jogadas nas ruas por não poderem pagar o aluguel. Dá pra ser feliz?

Cada postagem que fiz durante esta pandemia de cenas da minha vida, nas quais estava realmente feliz, pensei logo que havia milhares de pessoas infelizes e que a minha felicidade estava ligada a ter aos meus direitos básicos supridos – então, será que assim eu poderia ser infeliz?

Em abril passamos de 400 mil pessoas mortas oficialmente pela Covid-19 – e, certamente, o número real é maior – sendo que muitos destes contágios ocorreram porque as pessoas precisam ser felizes indo a festas, bares, shows, praças, praias, entre outros locais onde o riso corre solto. Sorrir é sinônimo de felicidade? No Brasil existe a necessidade de ser feliz estando em grupo, “festando”!; mas, este mesmo sentimento coletivo não faz sentido na hora de agir – tanto para proteger a si mesmo quanto aos outros, da contaminação.

Se puder, fique em casa!

Sandra Nodari

Jornalista
Mestre em Comunicação e Linguagens
Professora de Jornalismo na Universidade Positivo
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